Um assumir de opiniões, críticas, crónicas e ideias soltas que atravessam o universo do rock , metal e afins...


Os culpados, zohía, Han, P.De LaTex, maik e L.Roque

segunda-feira, agosto 22, 2005



: só mais um fim

Chega assim ao final a aventura passada por estas linhas soltas, desenhadas por entre um mar de bandas sonoras, causas e consequências de tudo o que por aqui se falou.
Li algures que todos os blogs têm inevitavelmente um fim ; seja por falta de assunto, motivação ou tempo, velhos capítulos se encerram, dando lugar a outros que surgem no seu lugar, pulsantes de novo sangue.
Por aqui, nunca escondi que a ambição pessoal que sempre persegui para o oCulto foi a regularidade, objectivo que considerava essencial, mas que nunca conseguimos impor a nós mesmos. Os espamos que fomos debitando por aqui foram, por uma ou outra razão, diminuindo e é fácil constatar que este blog não terminou hoje, mas sim há algumas semanas atrás. Sem dramatismos, afinal é só mais um final.
Para os interessados, o programa do oCulto na Rádio do Instituto Superior Técnico também irá entrar num hiato, para voltar por entre as brumas um dia num futuro incerto, ninguém sabe é muito bem quando...
Até já!

sexta-feira, junho 24, 2005



: Foo Fighters – Dualidade de som

Nesta crítica ouvirão de um fã incondicional a opinião sincera e, por incrível que pareça, imparcial, sobre o novo álbum da banda norte-americana. Imparcial pois não conheço ninguém (embora admita que existam, poucos) que saiba tanto, goste tanto e compreenda tanto o colectivo de Dave Grohl como eu, e portanto ninguém está tão qualificado para definir, com mais ou menos paixão o que acha sobre o álbum, baseando-se em factos concretos, históricos e até musicais. Pode parecer uma espada de dois gumes, mas a minha opinião será sincera.
Se existe algo que é a impressão digital de uma sensação auditiva de um novo álbum, é a opinião de alguém que venera a banda (não é ser fã inflexível, é ser fã e gostar de música ao mesmo tempo, veja-se o exemplo dos fãs de Metallica e a reacção ao último álbum).

Vou por isso dissecar o álbum duplo de nome In Your Honour (publicamente admitido como dedicado aos fãs, mas com extrapolações e especulações de parte de alguns críticos norte-americanos que o levam na direcção de Kurt Cobain ou John Kerry, não sei se por ignorância e mania de inventar, se baseando-se na realidade...).

São 20 músicas no total, o que os Foo nos oferecem como trabalho dos últimos 2 anos e meio, separadas em dois CD’s de 10 músicas cada.

Um CD acústico e um CD hard-rock “normal”. Foi esta a fórmula que Dave sugeriu supostamente depois de desistir de um projecto mais modesto que consistia em experimentalismos sonoros, em lançamentos discretos.

Entre essa opção e esta, prefiro esta, pois experimentalismos há que fazê-los entre álbuns, em projectos alternativos ou até ao vivo como tem vindo a ser notório nos concertos recentes dos Foo (basta ver a amálgama de jams e improvisações da última tour).

Havia também a opção de enveredar por um caminho standard, com um único CD, misto e arranjado de forma a soar bem, a cobrir todos os gostos e a ser mais um na vida desta espectacular banda de hard-rock.

Dave, um inconformado, um músico imparável, hiper-activo e multi-facetado (basta ver que nas pausas dos Foo Fighters ele faz álbuns de metal, num tom “revivalista” convocando vozes míticas desse panorama musical , participa em álbuns de bandas emergentes e enormes como os Queens Of The Stone Age, Garbage e Nine Inch Nails (sempre ajudando na bateria) e ainda tem tempo para produzir e até participar em álbuns de bandas mais antigas como os Killing Joke) não se quis ficar por um único CD, optou por correr um risco, CD duplo.

Inovação, receio de estagnação ou simplesmente pancada, o que é certo é que aí está ele, e cheio de participações importantes igualmente : Josh Homme , Norah Jones e John Paul Jones (ex-baixista dos Led Zeppelin).

O primeiro CD demonstra um hard-rock forte, dos mais fortes desde o seu primeiro álbum (ainda meio contagiado com a época grungiana), com Grohl a gritar e a arranhar a voz frequentemente, numa tentativa (na minha opinião bem mais genuína que o frequente adoçicar da voz dele aquando da produção e manipulação digital do som dos álbuns antigos que ele tanto afirma odiar) bem sucedida, na minha opinião, de conseguir libertar um dos extremos do som dos Foo – a energia, o rock solto e sonante, as letras que ficam e são cantadas por diferentes gerações ao longo dos anos. Exemplos desta energia (muito típica ao vivo e este é um CD muito ligado á vertente “live” da música dos Foo Fighters) são temas como Free Me , Hell , The Last Song e No Way Back. Os mais épicamente interpretados In Your Honour e o single Best of You mostram um vocalista mais sentido, mais sério e mais emotivo que no habitual pop-hard-rock-punk-pós-grunge (mistura complicada de definir) que não deixa de ter representantes mais ao lado do pop-rock pesadito em DOA, End Over End (na linha de Times Like These) e The Deepest Blues Are Black bem como representantes de um hard-rock mais disfarçado em Resolve por exemplo.

Sou um conhecedor de toda a discografia dos Foo’s, e posso dizer que o álbum hard-rock me surpreendeu...ao ínicio tive alguma resistência à mudança das fórmulas fáceis mas eficazes de por o rock a soar bem, marca conhecida da banda, de músicas orelhudas e acordes de sucesso apoiados por uma bateria tradicionalmente pesada demais para pop-rock e ainda não atrevidamente pesada o suficiente para punk rock ou hard-rock 100% puro.

Este álbum, embora já tenha lido críticas menos boas(até excessivamente) e outras marcadamente (e até excessivamente) favoráveis (este não é só um álbum de extremos na música que apresenta, mas também nas críticas que recebe), é certamente um álbum diferente do habitual dos Foo, mais alternativo em alguns aspectos e mais pesado, certamente, no geral das músicas. Não vão encontrar nenhum tema como Learn to Fly mas também nenhuma Everlong. É diferente, mas não deixa de ser um grande CD, isso tenho a certeza. A qualidade musical é inviolável e a transferência para um palco ao vivo será bem fácil com a qualidade das músicas aprensentadas. Será que Dave se cansou de pop-rock nos seus álbuns e é por isso que soa estranho? Certamente tentou...Veremos que singles ele escolhe para mostrar isso aos fãs e conhecedores.

O 2º álbum é uma mistura do que de melhor esta banda produz acústicamente...e acreditem que produz muito e bom, talvez por vezes melhor que algumas das suas músicas convencionais...(Walking After You ou Times Like These lembram algo?). Razor tem a assinatura de Josh Homme, dedilhando todo o seu talento na guitarra, Virginia Moon é dominada pelo dueto e pelo piano de Norah Jones com Dave Grohl fazendo com que só por isso o álbum já valha a pena ouvir, dada a qualidade das prestações, e temas como What if I do?, Miracle, Over and Out e Cold Day in The Sun (interpretado por Taylor Hawkins - baterista dos Foo) soam um pouco a rock folk, mais inocente e até meio chill out...mais simples e não tanto a ver com Foo Fighters mas com preferências mais soft-rock ou rock tradicional dos EUA tanto de Dave como de Taylor (cuja banda favorita são os Eagles...) (Lembro, para os mais críticos, que Kurt Cobain adorava diversas bandas e artistas mais “tradicionais”/country dos EUA, tanto que quase monopolizou o seu Unplugged com covers das mesmas, embora certamente com outra postura, diferente do seu amigo, Dave, com estrondosa aclamação)

Mas especial atenção para três temas, mais trabalhados e mais sérios porventura...Still é uma música de uma beleza e uma doçura contagiantes, que serviria para fazer uma serenata mais séria e uma dedicatória mais sentida a qualquer amor das vossas vidas, bem ao estilo de Walking After You. Another Round é uma música bem ao estilo do que disse acima sobre o Unplugged dos Nirvana, mas com uma voz bem menos melancólica e arranhada, soando portanto algo diferente, ainda que em tom de princípio, idênticamente interpretada.

Mas a pérola deste 2º disco vem em Friend of a Friend, aposto eu, como fã e conhecedor de Dave Grohl, dedicada a Kurt Cobain, pela letra, pelo tom, pelo ambiente, pela interpretação...Toca-me bem fundo esta música pois é uma dedicatória bem à altura de sons como All Apologies ou Come as You Are, talvez não na forma fascinante de Kurt, mas na forma dedicada, não obstante, de Dave. Se querem mais prova de que eles eram grandes amigos, ouçam...não comentarei mais.

Em resumo, um primeiro álbum que demonstra um esforço por deixar o pop-rock em casa e acelerar o ritmo (talvez por este trabalho duplo ser uma dualidade extrema de espíritos) e traz-nos, felizmente, grandes sons para ouvir em Paredes de Coura, noutro espectacular concerto deste quarteto, como já é tradicional neles. É um trabalho que atinge um extremo do som deles, e como tal tanto pode ser adorado como odiado, como todos os extremos...

O 2º álbum está mais arranjadinho e mais folk, o que poderá afastar as pessoas dos 4 ou 5 temas de excepcional qualidade que contém, como já referi. Dave e companhia não tiveram medo de colocar os extremos da banda em cima da mesa, e este é o extremo doce e calmo dos espíritos dos elementos dos Foo.

Há quem defenda que uma mistura do que de melhor ambos têm daria um álbum estraordinário...não comento pois realmente não sei se resultaria ou não numa maior aceitação. Eu estou contente com a qualidade das músicas, há que respeitar a decisão dos artistas e eu certamente esfrego as mãos de contente por ter mais do que é bom...

Não é nenhum Millencolin and the Infinite Sadness mas certamente que é um começo de uma nova era para os já enormes Foo Fighters no caminho para a consolidação musical. A evolução do fazer música quase no “gozo” para o mais sério e mais objectivo, para o mais sentido é notória na banda.

Talvez seja por essa mudança acontecer agora passados 10 anos de existência que as pessoas poderão estranhar e ao início rejeitar, mas acreditem...são dois CD’s que eu nunca deixaria de comprar se gostar de rock, mesmo se não fosse o fã que sou...

quarta-feira, junho 01, 2005



: Audioslave – A fusão dos mundos

Penetrante, brilhante são as primeiras palavras que me surgem à cabeça quando penso no concerto de domingo, dia 27 de Maio de 2005 dos multi-culturais e multi-facetados Audioslave.
Era uma das bandas, conjuntamente com os Blind Zero e Iggy Pop and The Stooges que eu mais lamentei terem acabado por encaixar no meio de muros de betão, duros e pesados como são os Slayer e os Mastodon e até Marylin Manson.
Se em relação aos Blind Zero fiquei um pouco desiludido e triste por tão injusta calendarização e consequente actuação limitada e de fraca participação do público e em relação ao Iggy Pop e companhia fiquei irritado com os sons estridentes (que para quem gosta serão melodiosos) que o veterano, mais-que-queimado, demente e excêntrico cantor produziu, o mesmo não se pode, de forma alguma dizer dos Audioslave, príncipes do Rock Alternativo, que mostraram não ter medo nem preconceito de jogar um pouco fora de casa ao contrário de bandas em eventos passados, já referidas aqui pelo oCulto...
Out of Exile serviu de combustível, que deu, a um começo ainda algo tímido mas confiante, a Chris Cornell a força que precisava para segurar as rédeas do parque do Tejo e nos levar numa viagem pelos grandes sons que faziam e fazem actualmente o Rock sorrir de prazer.
Gerindo um público hesitante, os Audioslave vieram preparados para uma coreografia e uma sequência lógica e bem conseguida de capítulos musicais distintos, como que nos apresentando um livro, por onde deambulámos com uma lágrima de nostalgia e alento.
Começando por explorar temas mais antigos da banda, Chris Cornell, sorridente e sólido na sua interpretação vocal apresentou a banda actual ao público, com temas como Like a Stone, Gasoline , Out of Exile (dedicado à mulher) e Man or Animal (dedicado a um indivíduo presente nas primeiras filas com um cartaz que não consegui decifrar infelizmente).
Seguiu-se um dos momentos altos da noite, com Chris Cornell a lembrar que de Passado também se fazem as bandas e os artistas e que esta noite seria para tocar de tudo um pouco.
Logo se seguida, os primeiros acordes acordam os fãs de Soundgarden, já esquecidos de como era ouvir ao vivo o som mítico de Seattle...Spoonman ecoou como se uma onda de nostalgia atingisse o tambor do ouvido, ressoando e fazendo libertar uma lágrima de prazer e saudade. Delicioso.
E depois dos três mosqueteiros (Tim Commerford, num baixo tocado bem acima da cintura, à moda antiga e com as suas incríveis tatuagens nos ombros, já tão míticas quanto a própria qualidade dos sons que debita, Brad Wilk, na sempre mais que presente, embora não muito inovadora, mas enérgica bateria e o senhor chamado Tom Morello que dispensa apresentações, cada um com o carisma de um líder, cada um com a marca dos Rage Against The Machine) terem ajudado Chris a tocar no seu passado, chegou a vez dele sair de cena e deixá-los ter o seu momento de reflexão... e que reflexão... Foi com um salto de antecipação a vários centímetros do solo que festejei e saboreei o momento da entrada de Bulls on Parade dos Rage Against the Machine, inteligentemente tocada só instrumentalmente, com o tal brilhante solo de Morello, dada a clara inaptidão de Chris entrar no universo do rap-rock-funk, mescla para sempre gravada na pele por Zack De La Rocha.
Ainda não refeito do bater das badaladas dessa música no meu coração, aí veio Sleep Now in The Fire arrebatar-nos e arder nos ouvidos sem nos deixar respirar, com Chris a colaborar no que pôde, e nem colaborou mal, pois o que importava era que já estava toda a gente no ar, de braços abertos e olhos fechados a vibrar como nunca pensariam vibrar antes do concerto começar.
E os papéis inverteram-se, os ex-Rage retiram-se e Chris dá-nos uma canção que se reveste de significado puro e intocável para a geração do grunge e de vir lágrimas aos olhos... Black Hole Sun tocada como nunca antes, acústica, deve ter ressoado no céu e feito até o próprio Kurt Cobain sorrir...sem comentários.
Passado que estava o Passado, voltou-se ao presente e ao Futuro, com temas do último álbum e do anterior, já com o público delirante.
Show me how to live e Be Yourself foram os temas escolhidos.
Fechando com um derradeiro e épico Cochise e com a bandeira de Portugal na mão, Chris Cornell conquistou Lisboa e o Tejo, e assinou a carregado o papel onde dizia : “Melhor concerto do dia e dos melhores do Festival”.



: Marylin Manson – O profeta cansado

Expectativa por ver como Marylin Manson, que esteve presente 3 vezes em 4 anos no nosso país, se ia comportar, perante um público acabado de deliciar pelos pupilos do Rock (estranhamente marcantes num dia mais virado para o metal).
Uma demora e alguma confusão num início e introdução um pouco confusas e quiçá atabalhoadas não preconizavam um começo auspicioso para a banda e para o profeta do obsceno e polémico. Confirmou-se isto ao longo do evento, que percorreu sonoridades mais recentes, mas também se agarrou aos muitos “salva-vidas” conhecidos por hit-singles, de álbuns passados de sucesso, para manter a cabeça à tona de àgua e o público a pelo menos aplaudir.
Alguma mecanização, alguma falta de empatia e alguma deficiência no som da guitarra soaram a pouco e o próprio vocalista foi perdendo a força, apesar do esforço claro em acudir à intensidade industrial e pesada dos espíritos presentes ao protagonizar alguns gestos e coreografias mais atrevidas ou em cantar temas menos conhecidos com garra e genuinidade. Mas nada feito, o público, por cansaço, por desmotivaçao, por não ter tido um bom começo, por não ver o artista muito compenetrado e dedicado, por já ter visto a banda ou simplesmente por capricho não se oferecia à música de Marylin, e o concerto acabou por passar por vulgar, coisa estranha dada a qualidade da banda, e ser ofuscado, apesar das tentativas de parte a parte (em beautiful people e sweet dreams ainda se viram algumas reacções do público).
Eu já assisti a 3 concertos de Marylin Manson em Portugal, e o 1º concerto que vi, no Festival do Ermal, foi sem dúvida nenhuma, melhor que estes 2 últimos...será que Marylin Manson devia deixar de vir a Portugal por uns 2 ou 3 anos? Parece-me um pouco o síndrome dos Guano Apes e dos Incubus...o que é demais...começa a desgastar, o público e...os artistas.A dar concertos como o de ontem, mais vale não vir e poupar-se para outro dia e outro álbum, para vir mesmo marcar a diferença em vez de cumprir calendário. Marylin pediu para os fãs gritarem :Fight! como introdução a uma música eu digo-lhe: Fight!...another day...

segunda-feira, maio 30, 2005



: SBSR 2005 - bloco de notas


Este ano, o festival Super Bock Super Rock assumiu sérias ambições ao reunir um luxuoso cartaz de 35 bandas, divididas por três dias de música e animação, ganhando vida no passado fim de semana.
Escolhas bastante ecléticas, roçando de quando em quando uma perplexa e injusta mistura de géneros e estilos, caracterizaram este megalómano festival plantado à beira Tejo. Aqui ficam apontamentos de alguma da música que passou pelos dois palcos (nacional e internacional) da edição 2005 do festival SBSR.

Sexta-feira, 27 de Maio

Os Incubus visitaram o nosso país pela quinta vez em quatro anos, confirmando que se tornam cada vez mais frequentadores assíduos e habituais de tudo quanto é festival e concerto em Portugal. A memória mais recente da sua última actuação no Rock In Rio, no ano passado, deixou as suas marcas, decerto a pior passagem dos Incubus pelo nosso país, com a banda a mostrar-se apática e tímida, receosa de se encontrar encaixada entre Slipknot e Metallica. O conjunto de Brandon Boyd vinha assim, perante quem esteve no Rock In Rio, com a obrigação de sacudir a imagem deixada nesse festival e de provar que esse concerto não passou de um percalço causado por quem os soube (mal) plantar nesse dia.
Num curto concerto de apenas uma hora, os Incubus souberam apagar essa imagem, oferecendo a uma numerosa plateia uma actuação coesa e certeira. Extremamente eficaz perante uma multidão rendida quase desde início, a banda surpreendeu (pelo menos a mim) pela dedicação quase exculsiva a A Crow Left Of The Murder e Morning View. De facto, apenas os temas Make Yourself e Pardon Me conseguiram furar por entre os avanços musicais dos dois últimos álbuns dos Incubus, não conseguindo, apesar disso, soar de modo diferente, mas antes como que filtrados pela atitude explorada nestes últimos tempos dos Incubus. O sucesso dos singles mais recentes da banda norte-americana fez-se assim sentir perante uma plateia mais jovem, provando que os Incubus começam a crescer ou que eu me recuso a fazê-lo.

Aqui há tempos , tive a oportunidade de assistir a um concerto dos The Temple, concerto esse que deixou algum travo a desilusão face ao esplendor de Diesel Dog Sound, o seu último trabalho de originais. Com apenas trinta minutos de direito de antena no palco "nacional" do festival SBSR, a banda de Rui Alexandre conseguiu fazer-me esquecer tudo isso, aproveitando o pouco tempo que dispunha para destilar toda a raiva que a audiência teimava em querer ouvir.
Com o volume a bater no máximo, o poder e o ritmo da música musculada oferecida pela banda nacional insistiam em pulverizar todos aqueles que tomavam o primeiro contacto com os The Temple. Com a agradável surpresa na prestação do vocalista João Luis, a banda mostrou como se deve aproveitar a valiosa oportunidade de tocar num evento desta dimensão, para uma audiência maior que o habitual. Os The Temple conseguiram imprimir a sua adrenalina e muita energia a um concerto dedicado quase unicamente a Diesel Dog Sound, provando que são, hoje em dia, uma das bandas nacionais com maior entrega em palco.

Os System Of A Down trouxeram consigo até ao Parque Tejo, um novíssimo álbum, Mezmerize, para a actuação que iria marcar a passada noite de sexta-feira. BYOB, tema que abre Mezmerize, abriu também a noite dos SOAD, arrancando de rompante para uma cavalgada de contornos de epopeia.
No final de uma hora e meia de concerto, a plateia ainda estonteada, acreditaria facilmente que duas ou três horas haviam passado, tal foi a quantidade de informação sonora debitada por Daron Malakian e companhia. Os SOAD não deixaram praticamente nada por tocar, assaltando quase sem interrupções entre músicas, os álbuns System Of A Down, Toxicity, Steal This Album, Mezmerize e ainda atrevendo-se a levantar um pouco o véu do futuro Hypnotize.
Dando um concerto perfeito e sem falhas, a banda norte-americana assistiu incrédula à devoção de milhares e milhares de pessoas que, com a maior enchente e a melhor adesão da noite, souberam demonstrar que o culto dos SOAD nunca foi tão significativo.

Domingo, 29 de Maio

Leviathan, o segundo registo dos Mastodon, foi escolhido aqui e ali, como um dos melhores álbuns do ano transacto, fazendo crescer a banda norte-americana ao topo do heavy metal actual.
Era esta a expectativa que rodeava o início da sua actuação no palco principal do festival SBSR e que colhia sorrisos no final da mesma. Ainda com o sol a bater no palco, os Mastodon lançaram no ar uma tempestade sónica de distorsão e dinâmica, espalhando o caos e abalando quaisquer crenças rítmicas. O baterista Bränn Dailor conduz a batuta da banda, insistindo em querer chegar ao mesmo tempo a todos os pontos vitais da sua bateria, ponto de fuga da música encerrada em Leviathan e em Remission, o álbum de estreia. Inclassificáveis no actual panorama da música extrema, os Mastodon erguem ondas de choque à sua frente, onde perceber o que se está a passar não chega sequer a ter um sentido essencial.
No final do concerto, corpos prensados ficavam marcados com este atordoar da manada que os músicos dos Mastodon insistem em ser.

Os veteranos Slayer apresentavam-se perante a massa humana à sua frente, como os verdadeiros cabeças de cartaz da noite, preparando-se para fustigar os seus fãs, não querendo dar relevância ao facto de ainda ser dia e início de jornada musical.
Injustiçados pela posição no cartaz, a banda de Tom Araya tocou como se não houvesse amanhã, igual a si própria, prolongando e alargando o turbilhão antes iniciado pelos Mastodon. Baseando a sua actuação nos melhores temas de uma carreira de mais de vinte anos, os Slayer souberam colher o espírito metaleiro de fim de tarde, provocando a histeria numa multidão incansável, que se orgulhava de estar ali naquele dia, quase exclusivamente para testemunhar o concerto da banda norte-americana.
A omnipresença do pedal duplo de Dave Lombardo marcou o compasso do concerto dos Slayer, compasso esse sob o qual a panóplia de riffs (que Jeff Hanneman e Kerry King vão buscar não se sabe bem onde) se concentra, tornando a velocidade avassaladora da banda num exercício de incredibilidade e constante espanto.
O sorriso maléfico de Tom Araya crescia à medida que War Ensemble, Chemical Warfare, Dead Skin Mask ou Angel Of Death marcavam uma hora e meia que cravava com convicção e atitude, que velhos são os trapos.